Delivery de alimentação natural cresce em SP

A shitzu Amelie comendo seu prato de dieta natural

Cordeiro com grão-de-bico e tempero de hortelã. Peito de frango com arroz integral e batata-doce. Peixe com arroz parabolizado e purê de abóbora. Parece menu de restaurante, ou cardápio de dieta, mas, na verdade, é comida de cachorro.

Até o começo dos anos 1980, os bichinhos de estimação comiam carne de segunda com a sobra do arroz ou de outros alimentos consumidos em casa. Quando, então, a ração apareceu no mercado brasileiro, abocanhou as casas que demandavam praticidade.

Nos últimos anos, entretanto, o que se vê é o caminho inverso. Preocupadas com o uso de conservantes, corantes, transgênicos e com o excesso de sódio na ração industrializada, muitas famílias passaram a dar comida “de verdade” para seus pets. Mas sem sobras: a onda é introduzir uma dieta preparada especificamente para os bichinhos.

De carona nesta tendência, empresas especializadas em delivery de alimentação natural para cães e gatos pipocaram por São Paulo.

Cozidinho de carne da Papa Pet leva arroz integral, batata-doce e fígado de frango, entre outros itens

“Eu queria ter um negócio próprio. Minha irmã é chef e estava voltando a morar no Brasil. Tive a ideia e ela abraçou”, conta a veterinária Juliana Bechara, 45, proprietária da La Pet Cuisine desde 2012. Uma das primeiras da cidade, a empresa mantém uma cozinha industrial na Vila Sônia, onde são produzidas duas toneladas de comida por mês.

Além dos pratos básicos, há opções “gourmet” —como o cordeiro, o risoto vegetariano e a caçarola de carne—, e outros formulados de acordo com a necessidade do cliente. “Se o cão é alérgico, podemos introduzir novas proteínas, como coelho, avestruz e salmão”, explica Bechara. Claro que a exceção tem seu preço: enquanto as dietas comuns, para cães pequenos, custam em torno de R$ 100 por mês, as específicas podem chegar a R$ 1.000.

Na cozinha da Animal Natural, em São José dos Campos, são preparadas duas toneladas e meia de comida por mês. Embaladas a vácuo, as dietas (que usam óleo de coco e sal do Himalaia) são distribuídas para a capital e Grande São Paulo, Campinas, Baixada Santista e para o Rio de Janeiro.

Congelados, os pacotinhos duram até seis meses. “Fazemos entregas semanais, quinzenais ou mensais. Vai da capacidade de cada freezer”, afirma Bruna Morales, 31. Veterinária, ela faz o acompanhamento nutricional de seus clientes de quatro patas por Skype. “Indicamos quanto dar de acordo com o porte, a raça e o nível de atividade física do animal.”

Quem levanta a bandeira “natureba” destaca melhorias na pele, vitalidade, fezes com odor reduzido e o prazer dos bichos ao fazerem suas refeições. “Não sobra um grão”, diz Michele Lira, tutora da buldogue Torrada. Adepta da dieta natural há três anos, desde que Torrada teve uma grave alergia de pele, Lira passou a comprar o delivery. “Eu levava de seis a oito horas para preparar a comida do mês dela. Agora é mais prático.”

As vira-latas Luna e Sol, da técnica judiciária Diana Pedro, 33, também comem delivery. “Eu fazia em casa, mas é bem cansativo, e o gasto é quase o mesmo”, diz.

A buldogue Torrada, que come alimentação natural há quatro anos

E A RAÇÃO?

O número de donos preocupados com o que seus bichos comem não para de crescer, elevando a demanda por esses produtos.

Há dois meses, o administrador Thiago Altran, 29, fundou, com a sua mulher e um casal de amigos, a Papa Pet. Preparam as três opções do cardápio —cozidinho de carne, frango com legumes e mexidão de ovos— em uma cozinha na Penha, zona leste paulistana. A primeira leva de pacotinhos deveria durar dois meses, mas esgotou em uma semana.

“As pessoas estão interessadas. Ainda existem alguns veterinários resistentes, mas muitos já indicam este tipo de alimentação para animais obesos, com problemas de pele ou outras doenças”, afirma Altran.

De fato, mesmo que a onda seja forte, há ainda muitos defensores da boa e velha ração. “Venho de uma época em que a gente dava comida e o cachorro vivia seis anos. Com a ração, ele passou a viver quinze. É um alimento seguro e completo, sim”, afirma Aulus Cavalieri Carciofi, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp.

A buldogue Torrada, que come alimentação natural; sua tutora, Michele, optou pelo delivery

Na dúvida, o melhor jeito, segundo Carciofi, é priorizar produtos de qualidade, seja nos grãos ou na dieta caseira.

fonte: www1.folha.uol.com.br

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